segunda-feira, 29 de abril de 2013

A água gelada, a tia pelada e o sal do mar

Quanto mais eu caminhava pelas ruas que me levariam ao desconhecido, maior era minha ansiedade. Eu deveria ter uns cinco anos, e pela primeira vez veria o mar. Chegando à areia, as expectativas só aumentaram. Lembro que me impressionavam a regularidade das ondas, o vento constante e o gosto de sal da água. No primeiro mergulho, o medo das pequenas marolas que se assemelhavam a ondas gigantes. Em seguida, a emoção de me libertar das mãos de minha tia, que resultaram em cambalhotas debaixo d’água, vários arranhões e – na tentativa de voltar a me apoiar – o biquíni dela perdido nas ondas. O mar, desde então, passou a ser meu destino certo para as férias. Águas geladas, águas quentes, algumas vezes com chuva, outras com muito sol. Porém, a água era sempre salgada. Comecei também a perceber que a água era mais salgada em uma praia e menos em outra. Mas por quê? E de onde teria surgido o sal da água? Inicialmente entendi que, se a praia onde eu estava era próxima à foz de um rio, suas águas eram menos salgadas. Porém, se estava em locais de pequenas baías, onde havia muito vento e sol forte, as águas eram bem mais salgadas. Assim, a água doce dos rios diminuía a quantidade do sal na água. Mas a questão principal continuava: de onde teria vindo o sal? Quando estudamos a origem da Terra, entendemos que ela sempre se encontra em transformação. Certamente, no início da formação dos primeiros mares, há alguns bilhões de anos, suas águas não possuíam a salinidade encontrada nos mares atuais. Se voltássemos no tempo e tivéssemos a possibilidade de observar a origem do primeiro oceano, ficaríamos surpresos pois suas águas teriam pouquíssimo sal. Sabe por quê? O gosto salgado vem dos elementos químicos que são transportados pelos rios, a partir da erosão das rochas da crosta terrestre. Alguns dos elementos mais comuns – como cálcio, magnésio, sódio e potássio – fornecem o gosto de sal. Quando os oceanos se formaram, eles quase não estavam presentes, e a água era muito pouco salgada. Para gerar a salinidade, foi preciso que esses elementos fossem levados continuamente ao interior dos mares, gerando um acúmulo progressivo ao longo de milhões de anos. Assim, as águas marinhas se tornaram mais salgadas do que as águas dos rios. A história do sal dos mares é cheia de mistérios e descobri-los traz sempre a sensação agradável de vislumbrar o que existe no horizonte em direção ao oceano. Deixe sua imaginação caminhar rumo ao desconhecido, pois no final sempre haverá uma praia com ondas suaves, um vento constante e o balanço salgado das águas do mar.

Do lixo à energia

Lixo existe por toda parte. Nas grandes cidades, então, nem se fala! O excesso dele, é claro, pode prejudicar o meio ambiente e até facilitar a proliferação de doenças. Porém, nem tudo que vem do lixo é ruim: existem iniciativas que procuram transformar detritos em energia. Quer saber como? Há mais de 50 anos, o lixo começou a ser usado como fonte de energia pelos alemães. Eles notaram que alguns materiais descartados, ao serem queimados, produziam uma grande quantidade de calor e, a partir disso, era possível gerar eletricidade – aquele mesmo tipo de energia que você usa para acender uma lâmpada ou carregar o celular. Desde então, diferentes técnicas foram desenvolvidas para aproveitar diversos tipos de detritos. “A composição do lixo é que vai dizer qual é o melhor sistema a ser utilizado”, explica Luciano Basto, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por exemplo, se o que temos acumulado é lixo com alto potencial de gerar calor, como plásticos e papelões, podemos queimá-lo em usinas apropriadas e, assim, gerar eletricidade. Já se o lixo contém mais matéria orgânica, como restos de alimentos e plantas, ele naturalmente se decompõe e, durante a decomposição, libera gases que também podem gerar energia elétrica. Outra forma de aproveitar esses gases é transformá-los em metano puro, usado para abastecer carros. “Isso pode diminuir em 15% o uso de diesel e 25% o de gasolina no Brasil”, aposta Luciano. Na década de 1980, alguns veículos da empresa de coleta de lixo da cidade do Rio de Janeiro faziam uso desse gás. A iniciativa, no entanto, foi abandonada. “Há uma discussão para retomar esse uso, já que é mais eficiente, barato e limpo extrair gás veicular do lixo do que energia elétrica”, completa o pesquisador.

Vida no mangue

Água salgada do oceano, água doce dos rios e lagos: você pode não perceber, mas elas frequentemente se encontram. Quando isso acontece, forma-se um ecossistema chamado estuário, ocupado por um tipo de floresta conhecido como manguezal, que funciona como berçário de várias espécies de peixes, crustáceos e moluscos. Quer saber mais sobre ele? A primeira característica importante é que a mistura da água salgada com a água doce cria condições muito especiais para a alimentação e a proteção de filhotes diferentes espécies – o ambiente fica rico em nutrientes, por exemplo. Além disso, outra particularidade do mangue é a pouca quantidade de oxigênio presente na água. “Há muito lodo e ácidos na água, então algumas árvores desenvolvem raízes aéreas para puxar o oxigênio da superfície”, conta o biólogo Mário Barletta, da Universidade Federal de Pernambuco. Esse emaranhado de raízes acaba criando uma zona de proteção aos animais dali. Os manguezais surgem em regiões tropicais e existem em vários países do mundo, incluindo o Brasil, mas estão ameaçados pela poluição e falta de cuidado. “Há muito lixo se acumulando nos estuários. Refinarias e indústrias jogam resíduos perigosos na água que vai para essas regiões”, alerta Mário. Além disso, o biólogo revela que alguns manguezais estão sendo urbanizados ou assoreados. Precisamos dar um jeito nisso, não acha?