


Parque é reduto de biodiversidade exótica
Gafanhotos gigantes, plantas raras e paredões enormes fazem parte da paisagem
O Parque Nacional do Catimbau é com certeza um dos últimos campos arqueológicos com locais jamais vistos ou tocados pelo homem e com muitas espécies de plantas e animais ainda desconhecidos. São 62.300 hectares de beleza natural e 36 sítios arqueológicos, segundo a Associação dos Condutores de Turismo de Buíque, no Sertão, uma das cidades compostas pelo parque (sua área faz parte também da cidade de Ibimirim e Tupanatinga). O vale ainda preserva as pinturas rupestres, as piscinas naturais e os cemitérios da antiga civilização indígena.
O caminho é bastante fechado pela vegetação que corresponde em sua maioria (95%) à caatinga. Logo no início da trilha encontramos um tipo de planta que só foi visto nesta região. Ela é rasteira e sua estrutura se assemelha a um bulbo com coloração muito avermelhada. De acordo com o guia do local, José Cícero, botânicos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estiveram no local e recolheram amostrar da espécie. Até o momento, as pesquisas esbarram na dúvida de afirmar se ela é uma bromélia ou orquídea.
O solo é rico em cristal de quartzo. Por esse motivo, a areia brilha com a luz do sol. No local há também o jacarandá rugoso, uma espécie em extinção. Cícero explica que o papel da associação para a qual trabalha também tem o papel de proteger e conscientizar a população sobre a preservação do parque, uma vez que são registradas áreas de desmatamento logo depois da Vila do Catimbau, lugar com poucos habitantes dentro da área do parque.
É preciso ter cuidado com uma espécie de gafanhotos gigantes. O inseto é bastante conhecido, mas o local é infestado deles. “Isso porque aqui eles encontram um habitat farto e um clima muito propício para a reprodução. Nesta época do ano, eles costumam aparecer bastante”, explica Cícero.
Mas a natureza do Vale do Catimbau não só revela insetos peçonhentos, ela também é artista. Basta olhar para as obras de arte esculpida nas rochas e montanhas. No caminho, dentro da vegetação fechada da caatinga, esbarramos com estranhos formatos parecidos com cascos de tartaruga ou com um iglu gigante.
Saíndo da vegetação fechada, uma vista paradisíaca. São os canyons do Vale do Catimbau e as formações rochosas que esculpem figuras exóticas. Neste ponto é possível ver o “Gladiador”, como é chamada a formação de pedras que se parece com a cabeça de um destes lutadores. Mas no parque também é possível ver outras montanhas e formações rochosas que acabaram formando a cabeça de um cachorro, um elefante e as corcovas de um camelo. Ainda há onças pintadas, areia movediça (lama gulosa), chapadões com até 1.010 metros de altura e cavernas que abrigam cemitérios das civilizações indígenas antigas. A biodiversidade reserva surpresas e elementos fascinantes.
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