Um prêmio Nobel coroou, há setenta anos, as descobertas do médico austríaco Karl Landsteiner.
Você sabe qual é seu tipo sanguíneo? Conhece alguém que já fez uma transfusão? Até o final do século passado, ninguém sonharia em fazer perguntas como essas. Para todos os efeitos, sangue era igual, fosse de gente ou de bicho. E as transfusões eram experiências arriscadas, às vezes até mortais. As coisas começaram a mudar em 1901, quando o patologista e imunologista austríaco Karl Landsteiner (1868-1943) percebeu diferenças nos glóbulos vermelhos, as hemácias. Elas variavam de acordo com a presença ou ausência de certas substâncias na membrana celular, às quais ele chamou de antígenos A e B. Uma descoberta que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina, no dia 12 de dezembro de 1930.
Aos antígenos correspondiam células de defesa circulantes no soro, batizadas de anticorpos anti-A e anti-B. Partindo dessas conclusões, Landsteiner classificou os tipos sanguíneos em grupos A (com antígenos A e anticorpos anti-B), B (com antígenos B e anticorpos anti-A), AB (com antígenos A e B e sem anticorpos) e O (sem antígenos e com anticorpos anti-A e anti-B).
Na prática, isso significa que, se uma pessoa com sangue A recebe tipo B, seus anticorpos destroem as hemácias do doador. Desse processo restam produtos tóxicos que alteram o funcionamento do coração, dos rins e do fígado, causando até a morte. Para fazer uma transfusão, portanto, é preciso identificar o grupo sanguíneo do receptor e encontrar doadores compatíveis. Para receptores do grupo A, por exemplo, servem doadores dos grupos A e O. Para os do grupo B, doadores B e O. Os do grupo AB são compatíveis com doadores de qualquer grupo. E os do grupo O só podem receber do próprio grupo.
Os revolucionários achados de Landsteiner melhoraram sensivelmente a segurança das transfusões, mas reações indesejáveis continuavam ocorrendo em cerca de 15% dos casos. Esse último mistério foi desvendado em 1939, quando se descobriu que, além dos antígenos A e B, as hemácias apresentam o D, batizado de fator Rh, que pode ser positivo ou negativo. “A partir daí, os testes de compatibilidade passaram a incluir também esse dado, tornando a transfusão um procedimento médico rotineiro e praticamente sem riscos”, diz Márcia Novaretti, chefe da Divisão de Imuno-hematologia e Agências Transfusionais da Fundação Pró-Sangue de São Paulo.
Um risco para os bebês em gestação
O fator Rh pode ser um complicador na gestação, nos casos em que a mãe apresenta o fator negativo e o bebê, o positivo.
(1) Durante a gravidez, hemácias do filho chegam ao sistema circulatório da mãe.
(2) O organismo dela passa a produzir anticorpos anti-Rh.
Numa primeira gestação, o número de anticorpos pode não ser suficiente para prejudicar a criança.
(3) Mas nas seguintes pode ocorrer destruição maciça dos glóbulos vermelhos do feto .Os bebês que sobrevivem muitas vezes são submetidos a uma transfusão total de sangue logo após o parto.
O problema tem solução simples, diz a médica Márcia Novaretti: “Basta aplicar na mãe, no final da gravidez e logo após o parto, o medicamento imuniglobulina anti-D para evitar o desenvolvimento dos anticorpos no futuro”.
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