NOTÍCIAS DO ÓLEO DERRAMADO
Acidentes com derramamento de óleo, infelizmente, são comuns no mundo inteiro. No Brasil o desastre ocorrido em janeiro, que despejou um milhão e trezentos mil litros de óleo na baía de Guanabara, foi o maior de nossa história. Mas como isso foi acontecer? A causa foi a rachadura em duto (um tipo de tubo) que transporta o óleo da refinaria de petróleo de Duque de Caxias (município do RJ) até a ilha d’Água, onde se localizam os principais tanques de abastecimento de petróleo da Petrobrás.
Os técnicos da Petrobrás acreditam que a rachadura foi provocada pela variação da temperatura do óleo. Isso porque, para ser transportado, o óleo precisa ser aquecido a uma temperatura de 80ºC. Assim, ele fica mais leve para passar pelo duto. O problema é que, se o óleo esfria, provoca um fenômeno chamado expansão e contração térmica dos dutos. Esse fenômeno desgasta a tubulação por onde o óleo passa, uma vez que altera as medidas dos canos, causando rachaduras.
Foi isso que aconteceu. A tubulação rachou e o óleo vazou durante quatro horas, espalhando-se pelas regiões de Mauá, São Gonçalo, ilha do Governador, Ramos, Paquetá e ilhas vizinhas. Grande quantidade desse poluente chegou aos manguezais. O principal prejudicado foi o mangue de Guapimirim, um dos mais importantes reservatórios ecológicos da baía da Guanabara. Lá muitos caranguejos morreram, aves foram contaminadas pela sujeira e árvores perderam as folhas, por causa da poluição provocada pelo óleo.
As grandes vítimas da poluição nos mangues são os caranguejos, No entanto, a ameaça do óleo à vida desses animais ainda divide opiniões.
O ambientalista Mário Moscatelli afirma que, com o vazamento, esses animais foram exterminados e que muitos eram fêmeas em fase de reprodução. Já a engenheira Neusa Vital, do setor de Meio Ambiente e Biotecnologia do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes), diz que a empresa reconhece os danos que o óleo causou ao mangue, porém acredita que ele posa ser rapidamente recolonizado por outros caranguejos, pois só uma área ficou suja de óleo. Para Moscatelli, a volta dos caranguejos não será simples assim: “Agora, os que viviam em áreas a salvo da poluição estão migrando para as partes poluídas e se contaminando com o óleo”, afirma.
As aves que habitavam a baía, como os biguás, também sofreram muito com o vazamento. Parte das que tiveram o corpo todo recoberto pelo óleo não resistiu. Outras, no entanto, conseguiram se salvar graças a um mutirão que reuniu a Petrobrás, a comunidade e os ambientalistas, para levá-las e soltá-las em áreas livres de poluição.
OPERAÇÃO LIMPEZA
Não só os seres vivos foram atingidos pelo óleo derramado. As praias e as formações rochosas ao longo da baía também se contaminaram.
Impregnados com óleo, as rochas do litoral foram lavadas com jatos muito fortes de água quente, que conseguem desmanchar a sujeira.
Nas praias, a solução foi retirar a areia contaminada e contar com a ajuda de especialistas internacionais com mais experiência em acidentes desse tipo para conter o espalhamento do óleo na água. Para isso, foram usadas malhas absorventes que agem como filtro, chupando a sujeira e impedindo que o óleo vá para outras partes da baía.
A FORÇA DE QUEM VIVE NO MAR
Com o óleo derramado, muitos pescadores e caranguejeiros perderam seu trabalho. Afinal, quem vai querer comprar peixe poluído? E como catar caranguejo, se ele não existe mais?
A solução encontrada pela Petrobrás para ressarcir essas pessoas pela perda de seus empregos foi cadastrá-las para trabalhar na limpeza das praias e pagá-las por isso. Assim, conseguiu-se encontrar uma atividade para aqueles que ficariam parados e ainda agilizar a recuperação do meio ambiente.
Mas, em certos locais, o ideal é deixar a natureza agir por si. Segundo a engenheira do Cenpes, a melhor maneira de ajudar o mangue a se recuperar é não interferir no processo natural de decomposição do óleo. “Se as pessoas forem para o mangue para fazer a limpeza, só vão piorar a situação, porque o terreno desse ecossistema é muito lamoso, e se for pisoteado, pode absorver com facilidade o óleo. Assim, se o óleo ficar coberto por outras camadas de lama, não vai ser degradado pelas bactérias, que já fazem esse trabalho naturalmente”, explica.
TRABALHO E COMPROMISSO
Os ambientalistas acreditam que o tempo necessário para que toda a área atingida se recupere seja de três a dez anos. Tudo vai depender da continuidade do trabalho que a empresa responsável pelo acidente iniciou e da fiscalização que cabe aos órgãos ambientais do governo, como a Feema, o IBAMA e as secretarias de Meio Ambiente. Embora já se tenha um prazo estimado para a recuperação, Moscatelli conta que ainda há um grupo de cientistas para avaliar a extensão do dano causado ao meio ambiente. Enquanto analisam se a técnica da Petrobrás para recuperar o mangue é mesmo a melhor, o grupo está limpando a área do manguezal que não foi atingida pelo óleo, mas que está contaminada por outras fontes de poluição como esgoto e lixo. Com isso, eles pretendem compensar o meio ambiente, lhe devolvendo pelo menos uma parte do mangue limpo. Com relação à presença de óleo no fundo do mar, as opiniões também são diferentes. Para o ambientalista Mário, ainda não é possível saber se o fundo do mar foi atingido pelo óleo. O que se sabe é que a pesca- antes proibida por causa do risco de contaminar o homem- já foi liberada pelos órgãos do governo. Para Neusa, engenheira do Cenpes, já é possível afirmar que o fundo do mar não foi prejudicado. Segundo ela, para chegar a essa conclusão, a Petrobrás utilizou a tecnologia do navio Astrogaroupa, um grande laboratório oceanográfico, que recolheu amostras de água e de sedimentos do fundo da baía.
Hoje, a lição que se tira de um acidente como esse é que um problema pode ter conseqüências não tão fáceis de se perceber. O óleo, que parecia ter contaminado só a água, atingiu peixes, caranguejos, aves, árvores, pedras, praias e pessoas. A Petrobrás garante que está trabalhando para que evitem as falhas que podem provocar outros desastres. Além disso, se compromete a ajudar o governo a tratar da Baía de Guanabara, que tem suas águas poluídas por tudo quanto é tipo de sujeira, mas que ainda é um dos principais cartões- postais do Brasil.
a) De que esse texto trata?
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b) O que informa a respeito desse assunto?
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